quinta-feira, 7 de março de 2013

O líder sindicalista Chico Mendes - o grande defensor da floresta


Juntamente com o Sindicato dos trabalhadores rurais de Brasiléia, em 1975, Chico Mendes fundou o movimento sindical no Acre.  Indignado com as condições de vida dos trabalhadores e dos moradores da região amazônica, tornou-se um líder do movimento de resistência pacífica.  Defensor da floresta e dos direitos dos seringueiros, em 1976, organizou os trabalhadores para protegerem o ambiente, suas casas e famílias contra a violência e a destruição dos fazendeiros, ganhando apoio internacional.  Chico Mendes também atuou na luta pela posse da terra contra os grandes proprietários, algo impossível de se pensar na região amazônica até os dias de hoje. Dessa forma, entrou em conflito com os donos de madeireiras, de seringais e de fazendas de gado. Participou da fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, em 1977, e foi eleito vereador para a Câmara Municipal local, pelo MDB, único partido de oposição permitido pela ditadura militar que governava o país (1964-1985). Nessa época, Chico sofreu as primeiras ameaças de morte por parte dos fazendeiros. Ao mesmo tempo, começou a enfrentar vários problemas com seu próprio partido: o MDB não era solidário às suas lutas.  Em 1979, o vereador Chico Mendes lotou a Câmara Municipal com debates entre lideranças sindicais, populares e religiosas. Vivia-se em tempos de ditadura militar. Foi acusado de subversão e passou por interrogatórios nada suaves. Foi torturado secretamente e, como estava sozinho nessa luta, não podia denunciar o fato, ou seria morto. Foi assim, em busca de sustentação política, que decidiu ajudar a criar o Partido dos Trabalhadores (PT), tornando-se seu dirigente no Acre. Um ano depois de ser torturado, foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional, acusado de ter participado da morte de um fazendeiro na região que assassinara o presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Brasiléia. Em 1982, tornou-se presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Xapuri e foi acusado de incitar posseiros à violência, mas foi absolvido por falta de provas. Quando liderou o Encontro Nacional dos Seringueiros, em 1985, a luta dos seringueiros começou a ganhar repercussão nacional e internacional. Sua proposta de "União dos Povos da Floresta", apresentada na ocasião, pretendia unir os interesses de índios e seringueiros em defesa da floresta amazônica. Seu projeto incluía a criação de reservas extrativistas para preservar as áreas indígenas e a floresta, e a garantia de reforma agrária para beneficiar os seringueiros. Transformado em símbolo da luta para defender a Amazônia e os povos da floresta, Chico Mendes recebeu a visita de membros da Unep (órgão do meio ambiente ligado à "Organização das Nações Unidas), em Xapuri, em 1987. Lá, os inspetores viram a devastação da floresta e a expulsão dos seringueiros, tudo feito com dinheiro de projetos financiados por bancos internacionais.  Logo em seguida, o ambientalista e líder sindical foi convidado a fazer essas denúncias no Congresso norte-americano. O resultado dessa viagem a Washington foi imediato: em um mês, os financiamentos aos projetos de destruição da floresta foram suspensos. Chico foi acusado na imprensa por fazendeiros e políticos de prejudicar o "progresso do Estado do Acre".  Em contrapartida, recebeu vários prêmios e homenagens no Brasil e no mundo, como uma das pessoas de mais destaque na defesa da ecologia. 

Texto adaptado de:

sábado, 16 de fevereiro de 2013

OS INCAS

 
Os Incas viveram aproximadamente de 3000 a.C. a 1500 d.C. no Peru, Chile, Bolívia e Equador, mais especificamente na Cordilheira dos Andes. Os atuais povos indígenas do Peru são descendentes dos Incas.

Esse povo tornou-se conhecido em todo o mundo pela sua cultura e tradição, pelos objetos de ouro que confeccionavam, pela utilização de pedras em suas obras tais quais estradas nas montanhas, canais de irrigação, etc. Os Incas eram politeístas, ou seja, acreditavam em vários deuses como o trovão, a lua, o mar, o sol, etc. Sacrificavam animais e humanos em honra aos deuses que cultuavam.
A capital do Império Inca chamava-se Cuzco, e lá havia o maior templo de culto ao deus Sol, o principal deus da religião inca.
A sociedade inca era dividida em três grupos, que se organizavam hierarquicamente formando uma pirâmide: na base ficavam os yanaconas, que eram escravos selecionados para proteger seus senhores; na parte do meio da pirâmide ficavam os nobres que eram membros da família do Inca ou descendentes dos chefes de clãs; e os sacerdotes, denominados de “Grande Inca”, ficavam no topo da pirâmide e realizavam culto ao Sol. Eles eram responsáveis pelos cultos religiosos e pela educação dos jovens.
Homens casavam aos vinte anos e mulheres aos dezesseis. Eles mesmos escolhiam com quem casar e ao realizarem a cerimônia recebiam terras para morar.
Aos 10 anos as mulheres passavam por uma seleção. As mais inteligentes e bonitas, sendo da etnia dos Incas, eram escolhidas e mandadas para Cuzco. Lá eram educadas por mulheres mais velhas. Algumas se tornavam esposas do imperador ou de quem ele indicasse, outras permaneciam virgens para participar do culto solar. Estas se empregavam em fiar e tecer.
O restante do povo era responsável pela produção dos alimentos através da agricultura. A produção dividia-se em três partes: uma destinada ao culto do Sol, uma ao Inca e a outra à comunidade. O excedente de produção era armazenado em celeiros para períodos de fome ou para festejos. Eles contavam também com um eficiente sistema de irrigação.
No comércio não era utilizada nenhum tipo de moeda, mas sim nas feiras era de costume trocar alimentos por outros alimentos ou receber alimentos em troca de serviços prestados. Na maioria das vezes, porém, o povo produzia todo o necessário para a sua sobrevivência, dispensando a prática comercial. Apesar disso, os Incas desenvolveram um sistema numérico e um equipamento para auxiliar a contagem: três cordas indicando a dezena, a centena e a milhar, chamadas de “quipus”. Apenas alguns funcionários manuseavam os “quipus”.
A educação dos homens também era dada nas escolas de Cuzco, mas não era como a das mulheres. Era um sistema bem mais severo, não só com aulas sobre a religião, a história, etc., mas também aprendiam a lutar e fabricar armas além de praticarem violentos exercícios que por vezes os levavam até a morte. Estes que passavam por esta educação tinham a sua orelha furada ao terminarem, para indicar que eles faziam parte de uma elite formada por funcionários que eram chefes valorosos para o Império.
Quanto à sua cultura, praticavam diversas danças, como rituais, cada uma com seu significado e em ocasião adequada à mesma de acordo com os costumes e crenças.
O chamado “Vale Sagrado dos Incas” localiza-se nas cidades de Pisac e Machu Picchu, no Peru, prolongando-se por mais de 100km. Encontra-se a uma altura de 2800 metros acima do nível do mar, com temperatura média anual de 18°C. É chamado assim por ser localizado próximo a Cuzco e ser formado pelas correntezas do rio Willkanuta (Casa do Sol), além de possuir milenares centros administrativos, rica flora e fauna, inumeráveis riachos e cachoeiras entre os bosques mais altos do mundo. Os Incas realizavam uma peregrinação até lá por acreditarem que se tratava do rio sagrado. Para eles o rio era o espelho da Via-Láctea, sendo que esta era o rio sagrado no Céu e aquele o rio sagrado aqui na Terra.
A arquitetura do povo inca também é um fato notável. Além dos enormes desníveis no solo da região, aconteciam muitos terremotos, mas este povo foi tão brilhante em suas construções que até hoje elas permanecem. Tanto os vários quilômetros de estrada entre as montanhas, quanto o sistema de irrigação, as pontes, dentre muitas outras construções. A arte destacou-se, como já falamos através dos objetos de ouro, calçados e tecidos.
Embora tenham sido bastante desenvolvidos, não criaram nenhum sistema de escrita.
 
Fonte: Info escola

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

O mito fundador do Acre

O mito sempre fez parte da literatura amazônica. A região que comporta a maior floresta tropical do mundo, desde sua conquista, pelos europeus, é alvo de lendas e fantasias a respeito de suas riquezas naturais e dos nativos que nela viviam. 

Dentre os mitos mais instigantes está o das amazonas, guerreiras indígenas que viviam em grupos alheios aos homens e que, segundo relatos, tinham um dos seios cortados. Essa “república das mulheres”, para utilizar o conceito de Antônio Esteves em seu livro A ocupação da Amazônia, atraiu muitos aventureiros à Amazônia. Sabe-se que até o astrônomo francês Charles Marie de La Condamine, membro da Academia de Ciência de Paris, foi seduzido pela lenda, a ponto de pesquisar, entre os nativos, o local onde viviam essas mulheres.

Os conquistadores, muitas das vezes, motivaram-se exclusivamente em lendas ao virem à Amazônia, o caso das minas de El Dourado é apenas um exemplo. O certo é que os mitos têm a capacidade de estimular comportamentos e cimentar valores.

O Acre também tem os seus mitos. Mitos que até hoje são cultivados por políticos e empregados com o fim de formar uma identidade cultural entre os membros das diferentes grupos sociais. A opção por narrar a história da anexação do Acre ao Brasil de forma épica e fantástica – em que o Acre é criado sob a égide de um grande herói, Plácido de Castro, e a identidade dos acreanos é formada sob a influência do patriotismo dos seringueiros - é a base do mito fundador Acreano. De acordo com o mito, o povo acreano deveria se orgulhar por ter como marca de “acreanidade”, tão glorioso passado.


A historiografia oficial é o principal veículo de difusão do mito fundador sobre o Acre. A serviço dos detentores do poder político-econômico, essa historiografia estabelece “sentidos” sobre o passado, próprios de um grupo social, como sendo universais. Ou seja, mostra como verdade algo que é apenas uma versão do fato histórico. Nega a possibilidade de novas interpretações e sufoca a polissemia, característica nata da escrita historiográfica. Não significa, no entanto, que a versão oficial consiste em mentiras. Mas que deve ser encarada como uma representação do acontecimento histórico, baseada na visão de mundo da classe dominante.

A grande questão é desencantar a afirmação de que no Acre houve um passado glorioso, patriótico e revolucionário. Precisa-se divulgar também as “leituras não autorizadas” sobre o passado acreano. O cidadão tem o direito de conhecer a multiplicidade de versões sobre a Revolução Acreana. O patriotismo e o termo revolução podem ter sido usados para dissimular a ganância dos “brasileiros do Acre” pelos lucros “astronômicos” da borracha e encobrir diversos crimes cometidos pelos Acreanos: assassinatos, sonegação de impostos, invasão de terras estrangeiras etc. Será que os humildes seringueiros, semi-escravizados pelo barracão teriam se identificado com o “inferno verde” a ponto de irem a guerra por patriotismo? Teria sido Plácido de Castro o GRANDE responsável pela anexação do Acre ao Brasil? Percebemos que há muitas questões que não são mencionadas pelos escribas do poder.

Houve um processo de instauração do sentido único. A versão oficial não é natural, ela foi historicamente legitimada e ideologicamente construída por grupos sociais que ambicionavam a hegemonia. Hoje, o mito é alimentado por governos com tendências autoritárias. O discurso fundador cria uma dependência entre os cidadãos e os seus heróis atuais, os políticos; transmite a ideia de um Estado sem conflitos sociais; forja uma unidade social em torno de um projeto político.

Atualmente, percebe-se que a ideia de confiar o destino da sociedade a heróis, virou uma política de governo. Por isso reaviva-se o culto a personagens como Plácido de Castro e Chico Mendes. A elite inventa os “grandes homens” para depois se dizer continuadores das lutas deles. Através do mito fundador cria-se um ambiente político de cooperação e de passividade diante dos desmandos praticados. O povo deixa de se ver como agente histórico de mudanças.

A história é escrita por pessoas que vivem intensamente relações de poder em todas as áreas da vida. Impossível é, para um historiador, escrever sem propagar os juízos de valor do grupo social a que pertence. A história não é neutra, muito menos imparcial. Os mitos estão em todas as partes, inclusive em muitos livros de história considerados científicos. Crer em amazonas guerreiras que viviam na “república das mulheres” por esses rincões não é um mal maior que crer no mito fundador acreano. Em ambos os casos, a história e a ficção se confundem. É a ciência pedindo auxílio à literatura para justificar uma prática opressora. Desmistificar a historiografia oficial é destruir um dos maiores instrumentos de dominação em nosso Estado. “A escrita em História em nada se diferencia do gênero literário” Peter Burke, historiador inglês.

*Egina Carli de Araújo Rodrigues Carneiro é Professora de história, pós-graduada em psicopedagogia pela IVE e pós-graduanda em História da Amazônia pela UFAC

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Uma artesã na pré-história?

Esqueleto feminino enterrado com ferramentas de joalheria pode mudar o que sabemos sobre a divisão do trabalho entre homens e mulheres nos primórdios da humanidade
por Marco Antonio Barbosa
Uma descoberta arqueológica feita ao norte de Viena, capital da Áustria, pode ajudar a rever conceitos sobre a divisão de trabalho entre homens e mulheres na pré-história.Em um túmulo que o Museu de História Antiga da Áustria garante ser datado de 2.000 a.C., foi encontrado o esqueleto de uma mulher que morreu entre 45 e 60 anos de idade e que foi sepultada junto com ferramentas usadas para esculpir e moldar metais e pedras preciosas.

Segundo os arqueólogos do museu, isso indica que a mulher provavelmente era uma artesã joalheira a quem foi dado o direito de ser enterrada com seus instrumentos de trabalho. Ernst Lauermann, um dos pesquisadores envolvidos no projeto, declarou: “Naquele período, era comum as pessoas serem enterradas com as ferramentas de suas profissões“.

Até a descoberta, acreditava-se que, na civilização europeia daquele período, trabalhos delicados e de precisão como a joalheria eram confiados exclusivamente aos homens. Além das ferramentas (uma bigorna, vários martelos e cinzéis de metal), foram encontrados também na sepultura resquícios de joias que podem ter sido feitas pela própria artesã.

Outros 15 túmulos foram achados na mesma região e estão sendo estudados.

domingo, 18 de novembro de 2012

Arqueólogos encontram na Guatemala o mais antigo calendário maia

Um grupo de arqueólogos encontrou o mais antigo calendário maia já encontrado. A descoberta foi feita no sítio arqueológico de Xultun, um antigo complexo maia com cerca de 16 quilômetros quadrados, oeste da Guatemala.

Com 1200 anos, o calendário está desenhado na parede de uma casa que, os arqueólogos acreditam, era um local de trabalho de escribas. “Nunca havíamos visto nada assim desta época. É de séculos antes de qualquer notação astronômica conhecida até então”, afirmou em teleconferência com jornalistas David Stuart, da Universidade do Texas, em Austin, Estados Unidos, e um dos envolvidos no trabalho (que foi patrocinado pela National Geographic).
 
O calendário lunar encontrado em uma das paredes ajuda a compreender de onde veio a noção de que para os maias, que o mundo irá acabar no final de 2012. Muito vem da ideia popular de que o calendário maia acabaria após 13 baktuns, unidade de tempo maia que corresponde a 144 mil dias, o que corresponderia ao último dia de 2012. “Na parede vemos 17 baktuns, o que vai muito além de 2012”, explicou Stuart. Os pesquisadores acreditam que o calendário pode chegar a sete mil anos no futuro a partir do século IX, quando foi pintado. E completou: “É importante entender que os maias viam os calendários como ciclos. O final de um baktun é um período importante, não um fim. É como o odômetro de um carro. Quando ele chega a 100 mil quilômetros e volta ao zero, você não assume que o carro vai simplesmente desaparecer”. Os pesquisadores encontraram ainda um calendário em outra parede, mas ainda não sabem exatamente ao que ele se refere.

A parede em que foi encontrado o calendário lunar faz parte de um quarto dentro de um complexo residencial maior. As outras paredes possuem ainda diversas figuras humanas, entre elas a de um rei maia. “Ficamos impressionados com o estado de conservação da primeira parede que encontramos pois ela estava perto da superfície e a pintura não resiste bem ao clima tropical muito úmido e quente”, afirmou William Saturno, da Universidade de Boston, que liderou a pesquisa.

A crença em um final do mundo, ao contrário, é muito resistente segundo Saturno. “Vivemos procurando por finais. Os maias estavam querendo ter certeza de que nada mudaria [a ideia dos ciclos]. É uma forma totalmente diferente de pensar”, explicou ele.

Agora falar com as pessoas sobre ciclos não é tarefa fácil. “A única coisa que pode convencer uma pessoa que realmente acredita que o mundo irá acabar no final de 2012 é esperar o início de 2013.”, afirmou Stuart.
Alessandro Greco